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O meu Caminho de Santiago!

quinta-feira, abril 28, 2005

Jantar em Melide

Entramos no Ezequiel por volta das sete. Não há mais ninguém ali... será que nos servem? O Homem nem pergunta o que queremos. É muito simpático, diz-nos onde nos sentamos e traz-nos pão e vinho branco. O pão galego é delicioso!!!
As mesas são de taberna, com bancos corridos, o que para mim é excelente: preciso de pôr gelo no joelho e de ter a perna estendida.

Poucos minutos depois chega uma mulher, peregrina também, e senta-se na outra ponta da nossa mesa. Nós as duas continuamos a conversar. De repente a peregrina do fundo dá um grito e salta para o lado da Chris
“Ai eu não acredito! Vocês estão falando português?”
É brasileira também! Ficamos as três excitadíssimas! Ainda não tínhamos encontrado brasileiros no Caminho e imagino que a Chris esteja feliz! Tal como eu estava esta tarde quando encontrámos os portugueses.
Chama-se Cristina e começou o Caminho em Léon, como nós, mas está a fazer o Caminho sozinha. Conta-nos as suas desventuras destes dias. Tem milhentas bolhas e já caiu... tem uma ferida no joelho que não sara de maneira nenhuma. Hoje está num hostal e está toda contente: tem toalhas, não tem de tirar o saco-cama, tem uma casa de banho com banheira e água quente e só para ela...
Estamos todas felizes! Ela fala, fala e vê-se que está feliz, que tinha muito para dizer, que esperava por este momento há muito tempo! Este Caminho é de facto cheio de surpresas!

Conta-nos a mesma história que os portugueses contaram sobre os brasileiros malucos. Acrescenta que eles ainda queria ir passar a tarde de Domingo no Porto e por isso têm de fazer o Caminho de taxi. Devem ser os que apareceram ontem em Airexe, de taxi, a carimbar as credenciais... a descrição corresponde...
Chegam os portugueses e o nosso polvo.
Logo depois chegam os espanhóis. Estamos todos à mesa e ali ficamos a conversar e a comer, felizes e satisfeitos.

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Os portugueses e os espanhois já se tinham conhecido também num albergue.
É bom estar aqui e já nem me lembro que isto está quase a acabar. Ontem de manhã decidi que não ia pensar nisso: ia pura e simplesmente aproveitar cada dia, cada hora, cada minuto, como se amanhã não existisse.
Rapidamente chegam mais peregrinos. A mesa atrás de mim está cheia. Mesmo por trás de mim está o rapaz, o nosso amigo espanhol cujo nome ainda não aprendi. Creio que é Chano mas como não tenho a certeza, prefiro não lhe chamar nada. Na mesa dele está também o peregrino da harpa. O rapaz conta-me que o encontrou no Caminho. O velhote pediu-lhe que lhe fizesse um favor. Tirou a harpa, começou a tocar e pediu-lhe que tirasse uma foto.

O jantar é divertidíssimo e o nosso amigo espanhol chama-me de vez em quando para contar mais qualquer coisa. De vez em quando diz que está tonto, que não percebe o que se passa mas que este vinho é muito forte... Há duas mesas, mas no fundo só há uma. É o Caminho: somos todos uma grande família e isto parece um jantar de amigos de longa data. Estamos todos muito alegres por causa do vinho e cada vez rimos mais. Estamos leves e felizes. É de facto maravilhoso estar aqui!

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Comemos imenso e no fim ainda pedimos uma tarte Santiago (claro). Chega a dolorosa... €11. Mas valeu a pena. Comeu-se bem e a companhia foi do melhor.
São dez da noite e temos de ir indo. Meio às curvas, mas lá vamos. Os velhotes espanhois já foram há um bocado e agora somos só os tugas. E a Chris que para mim é tuga também.
Tiramos umas fotos para mais tarde recordar

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e ainda ficamos um bocado a conversar à porta do Albergue com o Chano e uns outros que lá estão e que estavam na mesa dele ao jantar. Um deles está a fazer o Caminho de bicicleta e chega amanhã a Santiago. Quer fazer o Caminho português ao contrário e ir até Lisboa. O Paulo, que já fez o Caminho português dá-lhe as informações todas.

Despedimo-nos e subimos finalmente.
O dia acabou muito bem e agradeço a Deus por isso. E por ter encontrado o Paulo, o César e o Tiago que é um amor de menino! E divertido também! E agradeço por ter encontrado os nossos velhotes espanhóis! E agradeço por termos encontrado a Cristina. E agradeço por tudo, por este Caminho, por isto tudo!


Nota: a maioria das fotos são do Paulo