Buen Camino

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O meu Caminho de Santiago!

terça-feira, abril 19, 2005

A viagem: Porto-Vigo-Madrid-Leon

São oito e tal da manhã e já comecei a viagem. Começa mal: perdi o único cantil que trazia logo à saída de casa e escorreguei quando fui comprar água. Ia caindo... espero que não seja um mau presságio.
Levo peso a mais (quase o dobro) mas espero que diminua. Tenho o coração apertado de saudades da minha mãe e da minha irmã e muito medo. Mas vai tudo correr bem. Logo encontro a Chris.

Cheguei a Vigo por volta do meio-dia, hora local e fui logo à procura de autocarro para o aeroporto. Foi uma viagem comprida.
Todas as pessoas olhavam para mim e para a minha mochila. Uma senhora perguntou-me se ia acampar.
A mochila fazia-me muitas dores nas costa e comecei a ter medo... e se amanhã não a aguento?
Cheguei ao aeroporto por volta da uma da tarde e fiz o check-in. Tinha agoa quase duas horas de espera.
Arranjei um mapar do Caminho e comi qualquer coisa.
O voo foi rápido e não serviram nada.
Cheguei a Madrid às 4 da tarde, cheia de dores de estômago.
O dia parecia já outro dia... a manhã de hoje parecia ter acontecido ontem.
Tinha agora 3h30 de espera mas dali a hora e meia chegava a Chris.
Dei umas voltas pelo aeroporto, tomei um leite com café para aclamar o estômago e comi um bolinho. Cobraram.me 3 euros e tal!!!
A Chris chegou... que saudades! Falamos dos nossos medos. Digo-lhe que tenho medo que nos chateemos e então combinamos respeitar o ritmo uma da outra e o espaço uma da outra. Tudo vai correr bem!
O voo para Leon foi tranquilo. Bom, mais ou menos... Era um aviãozinho minúsculo de hélice!!! Fez um barulhão o caminho todo e nós com medo que aquilo caísse. Pelo menos serviram uns bocadillos.
Chegámos a Leon e o frio era cortante. Ainda bem que trouxe o meu poncho!
O fecho da peiteira da minha mochila desapareceu... começa bem a viagem!
O taxista, meio duvidoso, levou-nos a um albergue que conhecia. Um horror. Graças a Deus estava fechado.
Levou-nos então para um outro (já nos tinha cobrado 14 euros, por isso não fazia mais que a sua obrigação), e acho que ficámos muito melhor.
Era um albergue de monjas com um senhor muito simpático a receber-nos. Fez o caminho 5 vezes e é agora voluntário um mês por ano ali.
Chegámos às 9, hora da celebração da bênção dos peregrinos.
Fomos a correr assistir à bênção, muito bonita e logo depois o senhor levou-nos a~té um telefone público ara que a Chris pudesse ligar para o Rodrigo.
Voltamos ao albergue e está já tudo a dormir! São 9h30 da noite. Nós nem jantámos. Nem desfizémos a mochila.
Só há velhos... Aqui há quarto para homens e outro para mulheres.
Levamos tudo para a casa de banho para não fazer barulho. Tomamos um banho e não temos outro remédio senão deitarmo-nos também. As luzes apagam-se e começa o sofrimento.
Ouvem-se roncos e eu dou uso aos meus tampões para os ouvidos. Insuflo a minha almofada (ainda bem que a trouxe) e deito-me.
Está um frio de rachar e acabo por vestir o poncho.
Só adormeço umas duas horas mais tarde.
Rezo. Agradeço a Deus por estar ali e pelo albergue. Superou as minhas expectativas. Peço-lhe que aquele seja o pior de todos os albergues que eu venha a encontrar no caminho. E peço-lhe que proteja os meus pés, os meus joelhos e todas as minhas articulações e permita que eu chegue a Santiago.